Tem gente que diz que
a gente escreve
melhor nas horas tristes.
Eu não sei.
Costumo escrever bem
quando estou feliz,
e ainda acho que nunca escrevi
quando estive triste.
Mas e nos momentos em que
não sabemos?
Quando não se sabe se está feliz?
Quando não se sabe se está triste?
A gente escreve o quê?
Podemos falar das esperanças,
da sede, da ganância,
da vontade, da lambança.
Ou falar do desespero, do medo,
do repulso ao apego,
do choro, ou até do aperto.
E na verdade isso tudo é
quase que somente uma escolha entre
sentimentos,
pensamentos,
de afirmar ou negar que
aquilo que te faz chorar
pode ou não te fazer chorar.
Se é pessimista, otimista,
materialista, sentimentalista.
Ou simplesmente desprendido.
O que me traz a uma outra indagação,
indignação, percepção.
Será que alguém é desprendido?
É possível não ligar,
não amar,
não se envolver, esconder?
E do que isso seria sinônimo?
De não saber se chora, se sorri?
O que acaba nos levando de volta
à curiosidade das
nona e décima linhas,
que na verdade até mostra que
tudo é a mesma grande merda.
Quem é desprendido? Quem não sente,
ignora, não procura, se esforça?
No fim o sentimento de dúvida
é o mesmo, um desejo.
O pior é não saber.
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